Na busca de progressão e ao encontro de sonhos e idealizações tive a oportunidade de poder residir na casa para estudantes de Araçuaí, projeto pessoal e assistencialista do ex-religioso, Valter Altoé. Fico muito agraciado em ser o primeiro a poder desfrutar de tal generosidade. Mais que lições como as de humanidade, colaboracionismo e partillha. Encontrei um lugar com muitos sonhos e possibilidade de realizações.
Durante o período que residi por lá, foi me concedido à oportunidade de dar continuidade aos meus estudos. Cumpri o objetivo principal da moradia na casa. O de acolher “jovens” com a intenção de dar prosseguimento aos estudos, de preferência o ingresso na universidade.
Morei na casa desde junho de 2000 até dezembro de 2006. Neste período eu concluí a graduação em Comunicação Social. Foi um tempo bom, de muitas amizades com o pessoal da casa e outras pessoas externas. Embora todos nós já houvéssemos conhecidos uns aos outros. A convivência serviu para fazer troca de experiências, dialogar e ajudar na tomada de decisões. Acerca dos “temas” que permeavam o discurso comum, entre os moradores da casa.
Um tempo inesquecível e multiplicador, sobre os fins que se tomaram nossas vidas depois da experiência vivida ali. As atividades ligadas ao convívio e a busca de suprimentos para nossas necessidades, fez da gente moradores e familiares ao mesmo tempo. O convívio com Valter, Shirley, Adilson, Bel (Welbert), Adão, André, Simone, Marco Aurélio, Heloísa e Carla, foi muito bom. Houve uma ocasião que o contato com essas pessoas foi “intenso”, algo já mais vivenciado por mim. Quatro de nós trabalhavam na mesma empresa e faziam o mesmo cursinho, etapa antecedente a entrada no curso superior. Imaginem isso… Uma verdadeira relação de família.
Entre os afazeres da casa (limpeza, organização, cuidados básicos, etc.). O Valter (não como pessoa), mas como idealizador do projeto, nos pedia a interação com a comunidade. De alguma forma, seja no trabalho de pastoral ou ali, no contato com os visinhos mais próximos, relacionando com as pessoas. O duplo papel do Valter foi muito acrescentador para a casa. De pioneiro da idéia, mediador e morador também. A duplicidade de papéis acrescentou a importância das funções que às vezes é inerente para nós.
Então, é isso, apenas uma idéia do que ocorreu dentro da casa. Foi mais que uma “ponte” entre as pequenas coisas que sonhávamos, ainda em Araçuaí, e o que hoje somos. Ainda que pequenos, mas diferentes. Pequenos, por que também não queríamos ser “imensos”, e diferentes, pois, aprendemos a enxergar as coisas de maneira incomum. Sobretudo, no aspecto como as pessoas se relacionam em grupo.
Para todos que passaram pela casa, creio ter sido uma oportunidade ímpar em nossas vidas. Nossos anseios eram muito similares, falo isso com a propriedade de que conversávamos, quando consultávamos uns aos outros sobre as nossas decisões. A casa foi um laboratório de partilha, de solidariedade, de comunhão e doação. Meus agradecimentos ao grande cientista, Valter Altoé e, aos grandes amigos: Shirley e Adilson.
Não resisti, com tantas palavras, e em nenhuma delas traduzem o som, Mike. Tenho que falar um pouco dele. Foi mais que um cão em nossa casa… Vi ali, os reflexos intermináveis da bondade de Valter para com a vida, independente do ser. Sobre o bem-estar daquele Pastor Alemão, havia a extensão de oportunidade, dada por esse grande homem para aqueles que necessitam.
Posso testemunhar assim, beleza?